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Hajime Sano, mestre do teatro Noh, inicia turnê pelo Brasil PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
25 de junho de 2008

     Já chegou, ao Brasil, Hajime Sano, mestre da Escola Hosho do teatro Noh, preparando-se para a turnê brasileira que inclui apresentações em São Paulo, Belo Horizonte, Ipatinga, Salvador e Brasília.

     O evento está sendo realizado em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. 

      O mestre Sano lidera um grupo formado por 20 atores e músicos da Escola Hosho, um dos maiores e mais importantes estilos de teatro Noh do Japão. Além de Sano, considerado um dos expoentes máximos, outros grandes nomes do Noh estarão atuando, pela primeira vez, em palcos brasileiros : Masayoshi Ibi, Masayuki Fujii, Shonosuke Okura e Yusuke Miyake.

     "Nosso principal objetivo, ao organizarmos a turnê pelo Brasil, foi realizar espetáculos completos, não só em termos do conteúdo em si, mas também de quantidade de atores e músicos", explicou o mestre Sano. Acrescentou ainda que, como ocorre no Japão, no intervalo entre as peças de Noh será encenada uma peça do teatro Kyogen. Este, em contraste com o austero e aristocrático Noh, traz comicidade e enfoca os defeitos dos seres humanos.

     Entre os 20 integrantes do grupo, 11 são atores shite (faz o papel de protagonista, único de usa máscara), um é ator waki (coadjuvante), quatro são músicos instrumentistas (tambores e flauta) e três são atores de kyogen.

     Programa adaptado para a turnê brasileira.

     Desenvolvido e aperfeiçoado entre os séculos 14 e 15, o Noh é a fusão entre poesia, teatro e música.  Nele, diversos elementos musicais estão estritamente entrelaçados entre canto e dança.

     Diante desse complexo universo teatral, mestre Hajime Sano informa que, a cada sessão, que terá duração de 1h30, inicialmente será feita "uma introdução didática visando explicitar ao público brasileiro o significado dos inúmeros detalhes característicos dessa arte milenar".

     Explica ainda que, além da representação completa, tanto o Noh como o Kyogen, podem ser encenados de maneiras "mais compactas" (chamadas de maibayashi, ibayashi ou shimai), selecionando-se, geralmente, as principais partes da peça.

     Assim, para a turnê brasileira, estão programadas as peças "Sanbaso" (forma maibayashi), "Hagoromo" (peça do Noh, de forma completa), "Fukuro Yamabushi" (peça do Kyogen) e "Shakkyo" (forma ibayashi, ou seja, recitada com acompanhamento musical).

     A primeira apresentação do grupo será em São Paulo, nos dias 27 e 28 de junho, às 21h, no Auditório Ibirapuera, no Parque Ibirapuera (portão 2).

     

     Uma sinopse de cada peça.

Sanbaso

Esta é uma peça que faz parte do programa de teatro NOH durante o Ano Novo, nas férias e em ocasiões especiais.

Ela é encenada de acordo com antigo cerimonial relacionado a um ritual popular em que um Deus abençoa as pessoas. Por isso, esta peça é considerada, por muitos, como uma oração de paz, tranquilidade e de colheita farta.

Atualmente, o papel de Okina é representando por ator de NOH e o de Sanbaso por um ator de Kyogen.

Hagoromo (Manto de Plumas)

Um pescador encontra um manto pendurado numa árvore.

Uma donzela celeste aparece e tenta convencê-lo a devolver o seu manto para poder retornar ao seu lar, o céu. Mas, para isso, o pescador pede que dance para ele. A donzela, um anjo que desceu à Terra, dança em júbilo, grata por retomar o manto que perdera.

A história do mortal que rouba o manto de plumas de um anjo é conhecida por muitas civilizações. Um mito que se espalhou, da China para a Índia, por toda a Ásia e até pela Europa.

Esta peça NOH, escrita por Zeami, é mais uma das versões desse mito. Bem elaborada, ficou conhecida mundialmente. No Brasil, Haroldo de Campos lançou, pela Editora Estação Liberdade, uma transcriação desta obra, com ilustrações de Tomie Othake.

Fukuro Yamabushi

Taro, o irmão mais novo, ao retornar da montanha, apresenta um comportamento estranho. Fora possuído por um espírito mau.

Preocupado, o irmão mais velho pede a um monge budista itinerante (chamado de yamabushi) para exorcizá-lo. Este, sentindo-se importante, resolve dirigir-se à casa dele para ver o ocorrido.

Vendo o estado lamentável do irmão mais novo, começa a rezar. Descobre que, na montanha, ele havia destruído um ninho de coruja e, por isso, o espírito da coruja o teria possuído. Vendo que suas orações não estão resolvendo, yamabushi reza com mais ainda intensidade, mas...

Diz-se que, no passado, um yamabushi tinha o poder, através de rezas, acabar com os males das doenças ou os desastres. Porém, no Kyogen, tudo isso é representado de maneira exagerada, deixando evidente que essa reza não surtiu efeito algum.

O Kyogen consegue representar de maneira cômica o fato de um ser humano ter sido possuído por um espírito. 

Shakkyo (Ponte de pedra)

É a história de um monge budista que, chegando ao pé de uma montanha na China, avista uma ponte de pedra.

Ao tentar atravessá-la, encontra uma criança da montanha que lhe conta que essa misteriosa ponte fora construída pela natureza e levava ao paraíso. No entanto, somente um penitente conseguiria essa peripécia.

A criança desaparece depois de profetizar que o monge seria capaz de atravessá-la.

Características do Noh e do Kyogen

   

      O Teatro Noh foi a primeira manifestação artística japonesa a ser designada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 2001, tamanha a sua importância no âmbito das artes tradicionais em todo o mundo.

         Foi desenvolvido e aperfeiçoado entre os séculos 14 e 15, período em que a poesia, o teatro e a música se fundem entre si. Sem cenário, a descrição de cada cena repousa unicamente no texto do canto, nos gestos e movimentos do ator. São movimentos quase imperceptíveis do ator que fazem surgir, aos olhos e no espírito do espectador, um universo todo poético, um mundo visto sob diversos aspectos, envolvendo os fenômenos da natureza e da vida.

         Diretores renomados de diversos países receberam, ou têm recebido,  influências dessa forma de teatro que mistura gestos, dança e música de maneira poética  e expressiva. A combinação desses elementos, resultado de um conjunto de conceitos e de teorias sofisticadas, oferece ao público uma peça de valor estético altamente refinado. Os movimentos e os gestos dos atores são codificados, como também todos os detalhes de cada cena.

    Juntamente, na programação do Noh, é apresentado o Kyogen, teatro que representa a natureza humana através de acontecimentos do cotidiano, do mundo terreno, sempre de forma cômica. 
 

Conheça alguns dos artistas da turnê brasileira 

Hajime Sano

É ator Shite da Escola HOSHO de Teatro NOH, professor emérito da Universidade Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio, Conselheiro do atual Grande-Mestre da Escola HOSHO e membro da Associação de Teatro Noh do Japão.

     Como discípulo do Grande-Mestre, Hosho Kuro, fez sua primeira apresentação no palco como ator mirim (Kokata) e sua primeira atuação como Shite (protagonista) foi na peça "Seioubo".

     Foi professor do Curso de Teatro Noh, uma das matérias do Departamento de Música Japonesa. Em 2003 apresentou espetáculos e workshops no Brasil juntamente com o Grupo do Teatro Noh de Kanazawa. Depois, em 2005 fez turnê pelo Brasil e Argentina para uma série de conferências, demonstrações e workshops sobre teatro Noh. 

Shonosuke Okura

É músico instrumentista de otsuzumi (tamboril de anca), da Escola Okura.

     Reconhecido como Tesouro Cultural Intangível (grupo) pelo Governo Japonês, Shonosuke Okura pertence a uma das grandes famílias de músicos dos tamboris otsuzumi e kotsuzumi. É filho mais velho da 15ª. Geração do Grande-Mestre Chojuro Okura, da escola Okura (fundada há 600 anos),

     Estreou no palco aos nove anos de idade. Além de atuar em espetáculos tradicionais de Noh, Okura consagrou-se como instrumentista solo de otsuzumi, muito raro no teatro Noh.

     Tem-se apresentado com artistas das mais diversas áreas, tanto no Japão como no exterior. Destacam-se, por exemplo, a participação no "Oribe 2003 in New York", no Museu Metropolitano de Nova York, e na Sala de Concerto do Vaticano (convidado pelo Papa).

     Shonosuke também é conhecido como produtor cultural e artista, promovendo a cultura japonesa no mundo. 

Sukenori Miyake

Ator Kyogen da Escola Izumi.

     Estreou aos 3 anos de idade e, aos 18 anos representou a peça "Sanbaso", e aos 21, "Tsuriguitsune", ambas consideradas de dificuldade máxima. Teve aulas com seu avô, Tokuro Miyake (Tesouro Nacional Vivo) e seu pai, Ukon Miyake. 

A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA TURNÊ BRASILEIRA 

27 e 28/06 - Sexta-feira e Sábado - São Paulo - 21h

Auditório Ibirapuera - http://www.auditorioibirapuera.com.br/auditorio.html

Av. Pedro Alvares Cabral, s/nº

Portão 2 - Parque Ibirapuera

Tel.: 11.5908.4299  / 11.3629.1016

Ingressos: R$ 30,00 e R$15,00

(vendas no Auditório Ibirapuera e no Ticket Master) 

30/06 - Segunda-feira -  Belo Horizonte -  
Teatro Klauss Viana  
www.klaussvianna.art.br 
Av. Afonso Pena 4.001 - Mangabeiras 
Tel: (031) 3229-4316 
Platéia: 341 lugares 
 
01/ 07 - Terça-feira - Ipatinga  
Teatro Centro Cultural Usiminas 
http://www.usicultura.com.br/Secao/0,3381,35-2661,00.html 
Av. Pedro Linhares Gomes, 3900 - Bairro Industrial 
Ipatinga - MG - CEP: 35.160-290 
Tel.: (31) 3822-2215 Fax Usicultura: (31) 3499-8799 
Platéia: 486 lugares  
Balcão (platéia superior): 238 lugares 
 
02/07 - Quarta-feira - Salvador 
Teatro Castro Alves 
http://www.tca.ba.gov.br/01/index.html 
Pça 2 de Julho s/n - Campo Grande 
Salvador - Bahia CEP:  40080-121 
Tel.: 71-3535-0600 
Platéia: 1500 lugares  
 
04/07 - Sexta-feira - Brasilia 
Teatro Funarte Plinio Marcos  
http://www.funarte.gov.br/novafunarte/funarte/espacos/teatrosfuna.php 
Eixo Monumental Setor de Divulgação Cultural Lote 2 
CEP: 70.070-350 Brasília, DF 
Tel.: (61) 3322-2032 Fax : (61)3223-5513 
Platéia: 517 lugares

 
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