Home arrow Sala de Imprensa arrow Releases arrow Príncipe japonês inaugura monumento no emissário de Santos
Príncipe japonês inaugura monumento no emissário de Santos PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
26 de junho de 2008
inaugurao_escultura_-_vagner_dantas_0155.jpgA exemplo da bandeira japonesa, em que o círculo vermelho que representa o sol se destaca sobre fundo branco, o vermelho da escultura de Tomie Othake, em homenagem ao Centenário da Imigração, é ressaltado pelo contraste com o azul-esverdeado do mar.

Sob a garoa típica dos municípios paulistas, o príncipe Naruhito participou da inauguração do monumento, na plataforma do emissário de Santos, no dia 21 de junho (Sábado), depois de saudado pelo prefeito João Paulo Papa: " É um símbolo de que brasileiros e japoneses fizeram desta nação um exemplo de harmonia e igualdade entre os povos. Representa a amizade, o respeito, o afeto e as boas-vindas a todas as raças, que sempre terão em Santos um porto seguro", disse Papa.

Chegando a Santos por volta das 10h30, o herdeiro do trono do Japão também visitou outros pontos significativos para a comunidade nipônica local. Sua presença foi o ponto alto dos festejos do centenário, encerrando a programação iniciada há um ano.

Naruhito ficou honrado ao saber da origem de Tomie, nascida em Kyoto, no Japão. Ela compareceu à solenidade em companhia dos filhos, Ricardo, presidente do Instituto Tomie Othake, e Ruy, arquiteto que assina o projeto do parque que está sendo construído na plataforma do emissário, o ‘Ondas 21'. De acordo com Ruy Othake, que ouviu o diálogo entre a mãe e o príncipe, o herdeiro do trono se disse contente ao saber que uma artista japonesa que vive no Brasil havia feito a escultura. Também se surpreendeu com os 94 anos da artista, desejando que sua boa saúde continue por muito tempo.

Roteiro do Príncipe e novos Paladares

Apesar da circunspeção nipônica, por vezes Naruhito não se furtou a seguir um antigo provérbio: "Quando em Roma, faça como os romanos". Substituiu o discreto sorriso nipônico por outro mais descontraído, quebrou o protocolo com acenos para o público e para a imprensa, posou para fotos ao lado de autoridades.

Antes da inauguração da escultura, a chuvinha persistente ocasionou um atraso de sete minutos na chegada à Associação Japonesa de Santos (Rua Paraná, 129). Mas a curta demora corresponde a uma pontualidade britânica, se comparada aos padrões brasileiros. Na sede da entidade foi homenageado por crianças do grupo Kodomokai, de São Vicente, que tocava com flautas o Hino Nacional do Japão. Esse imóvel, onde funcionava a Escola Japonesa, foi confiscado durante a Segunda Guerra Mundial pelo governo federal, e devolvido à comunidade nipônica em 2006. Brevemente abrigará um centro cultural nipônico.

Após a solenidade no emissário submarino, Naruhito passou pelo monumento em homenagem aos imigrantes japoneses, na Praia do Boqueirão (altura da Avenida Conselheiro Nébias), seguindo para o almoço no Clube Estrela de Ouro FC, na Ponta da Praia.

O cardápio incluiu tempurá, camarão, lula, meca e filé mignon grelhados, arroz, missohiro (espécie de sopa) e casquinha de siri. O príncipe bebeu suco de morango e comeu frutas de sobremesa. Impedida de entrar, a imprensa buscou informações com o prefeito. João Paulo Papa contou que a curiosidade do herdeiro do trono foi despertada pelo filé mignon e pela carambola. Como a fruta foi servida cortada, ele ficou curioso por causa da forma de estrela que ela tem. E pediu para vê-la inteira.

A Escultura de Tomie

" Foi a própria artista que escolheu o local exato de instalação do monumento, bem na extremidade da plataforma do emissário submarino", explica o prefeito João Paulo Papa. Ela também orientou que a obra deveria apontar para o mar, de forma a permitir a visibilidade para as pessoas situadas na orla de Santos e de São Vicente e ainda para os passageiros e tripulantes dos navios que adentram a baía.

Cerca de 80 toneladas de aço fabricado e doado pela Cosipa/Usiminas foram utilizados na escultura, que tem 20 metros de comprimento, 15 de altura e dois de largura. A estrutura é feita de chapas de um tipo de aço especial, o COS AR COR 500, mais resistente à ação do tempo. A confecção contou com o patrocínio da empresa Gafisa e a instalação dos três módulos que a compõem foi acompanhada pelos arquitetos Jorge Utsunomiya e Vera Fujisaki, da equipe de Tomie Ohtake.

Sobre o simbolismo da obra a autora ponderou: "A viagem e o futuro dos imigrantes foram sempre um avanço delicado na vida. Nenhum trabalho meu tem nome. Prefiro que cada pessoa busque a sua interpretação".

A doação do monumento para a cidade é uma prova do carinho que os imigrantes japoneses têm com o município: "Santos foi a entrada dos imigrantes no Brasil", justificou Tomie, que é considerada uma das principais artistas plásticas da atualidade.

Ela chegou ao Brasil em 1936. Santos foi a primeira imagem que teve do País: "Depois de 45 dias viajando, saí do navio e senti o calor da cidade e a cor amarela, que predominava", acrescentou. Radicada em São Paulo, costumava trazer os filhos para tomar banhos de mar.

Começou a se dedicar às artes com 40 anos de idade e já recebeu inúmeros prêmios nacionais e internacionais. Entre as esculturas expostas em espaços públicos está a da Avenida 23 de Maio, em São Paulo, inaugurada na celebração dos 80 anos da imigração, que mostra quatro ondas simbolizando as gerações de japoneses que aqui se radicaram.

Após o almoço, Naruhito dirigiu-se ao Cais 14 do porto, onde depositou flores junto ao monumento '18 de Junho', doado pela Votorantim . Nele estão inscritos os nomes das pessoas que vieram para o Brasil a bordo do Kasato Maru.

23/06/2008

Solicitação de fotos com maior definição ou mais informações à Imprensa com a jornalista Amélia Fernandez Gonzalez - Registro Profissional 12.512-SP
 
< Anterior   Próximo >