Comissão Editorial prepara Livro Comemorativo dos 100 anos
Por Erika Yamauti   
12 de fevereiro de 2009

Desde o inicio do trabalho da ACCIJB, foi observada a necessidade de documentar a história dos 100 anos da imigração japonesa, fazendo um registro histórico da celebração do Centenário. O projeto da Comissão Editorial é produzir um livro em cinco volumes, com uma versão em japonês, e outra em português.

 

"O livro está sendo preparado em versão japonesa e portuguesa, e não será uma tradução para o português ou japonês. Cada grupo organiza a sua edição. Assim, a versão japonesa é coordenada pelo professor Koichi Mori, Masayuki Fukazawa, Atushi Yamauchi, Takeshi Kurihara e outros. A versão portuguesa está sob coordenação do dr Kiyoshi Harada e tem como membros Sedi Hirano, Kazuo Watanabe, Tuyoci Ohara, Lili Kawamura, Sunao Sato, entre outros. A idéia é produzir o livro em 5 volumes, sendo que o primeiro já foi lançado, e o segundo volume, em japonês, está previsto para este ano", explica Reimei Yoshioka, coordenador da comissão.

 

O projeto da versão em português vai abordar a imigração japonesa a partir de várias perspectivas, contando com a colaboração de especialistas de diversas áreas de conhecimento. O objetivo é pesquisar o processo histórico da imigração japonesa, partindo-se da visão contemporânea para focalizar fatos, acontecimentos e problemas, e traçar cenários para o futuro. Saiba mais sobre a edição na entrevista abaixo, com o coordenador dr. Kiyoshi Harada.

 

Centenário: Como está o andamento do projeto?

Dr. Kiyoshi Harada: "Estamos fazendo de tudo para não levar cem anos para escrever o livro! Com esforço conseguimos aprovar o projeto definitivo com os temas respectivos. O primeiro tema - A Imigração Japonesa no Brasil  - será escrito por um grupo de autores sob coordenação do professor Sedi Hirano. O prazo para apresentação de textos provisórios foi fixado para junho de 2009 a fim de que possamos promover o seu lançamento no final do ano. Os temas 4 (Presença do Nikkei no Cenário Nacional ) e 6 (Migrações internacionais Contemporâneas) também já contam com os respectivos coordenadores. O grande teste para a avaliação da capacidade produtiva do grupo de trabalho será a apresentação de textos provisórios do tema 1, até junho de 2009.

 

Centenário: Qual é a sua avaliação enquanto coordenador do projeto?

Dr. Kiyoshi Harada: Coordenar um grupo heterogêneo e seleto para a elaboração de uma coletânea de mais ou menos 5 ou 6 volumes não é tarefa fácil. Requer, acima de tudo, que todos os integrantes do grupo tenham a maior vontade política de dar a sua contribuição a favor da coletividade nikkei e da própria sociedade brasileira onde se insere. Todos os integrantes da Comissão Editorial, que são os escritores ou coordenadores de temas ou subtemas em potencial, são pessoas da mais alta qualificação técnico-profissional e por isso mesmo, são pessoas com pouca disponibilidade de tempo. Em um trabalho gratuito e desinteressado como este não se pode exigir dedicação integral. Daí a relativa morosidade. Porém, deve haver um mínimo de coesão do grupo como um todo em torno do cronograma de produção da coletânea, sob pena de o projeto naufragar. Por enquanto, conseguimos superar as dificuldades iniciais e o projeto definitivo já está sob execução, prevendo-se o lançamento do primeiro volume até o final deste ano.

 


Centenário: O sr. considera importante a publicação do livro?

Dr. Kiyoshi Harada: A importância da publicação desta coletânea reside na necessidade de deixar para a posteridade um registro histórico da atuação dos primeiros imigrantes japoneses e de seus descendentes nesses últimos cem anos. É por meio de análise crítica da vida desses imigrantes e de seus descendentes ao longo do tempo que será possível ter uma visão panorâmica do futuro da comunidade nikkei no Brasil. A preservação, bem como a difusão da cultura japonesa é a pedra de toque para a perpetuação da chamada comunidade nikkei, já que as características somáticas do nikkei de hoje tendem a desaparecer com o passar do tempo. Dia chegará em que a comunidade nikkei será identificada pela tipicidade da cultura e homogeneidade no que diz respeito aos hábitos e às tradições.